Para sermos revolucionários, precisamos não esquecer de que tudo pode ser mudado. Sempre.

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Não podia deixar de trazer pra cá o belo texto escrito por Renato.  Boa reflexão!

Por Renato Roseno*
18 de setembro de 2010

A partir de hoje, faltam 15 dias para as eleições e por isso queria partilhar algumas reflexões.

Há muita coisa feia por aí. Candidaturas nulas, falsas. Montadas exclusivamente para a manutenção de um naco de poder no aparelho do Estado. Muitas vezes são os próprios filhos ou familiares que são destacados para dar continuidade às oligarquias. Cem anos depois da oligarquia acciolina, temos outras. Gente jovem com jeito antigo.

Há um derrame de dinheiro vergonhoso que abastece mecanismos gigantes de manipulação midiática. Há a compra de votos, o uso das máquinas. Há o medo e a intimidação. As campanhas estão mais feias que antes. O excesso de imagens, de sons incomoda e diz muito pouco. Há as pessoas escravizadas sob sol inclemente carregando bandeiras que não são suas e que não dizem nada. Todas iguais. Nenhum sorriso sequer, mesmo que falso. Ao contrário, as mensagens que vemos nos cruzamentos da cidade clamam por mais violência e intolerância. Os jornais e revistas trazem as velhas notícias: campanhas milionárias, educação ruim, licitações fraudadas, concentração feudal de riquezas. Este é o salto prometido? Qual a diferença do que havia antes?

Pior é a desistência e a razão cínica de toda uma geração que esqueceu de seu passado, de suas palavras, do sentido da política. Foi completamente capturada sob a falácia que “tem que ser assim” em nome de algo tão indefinível como “nosso projeto”. É o deserto da realidade.

Mas, por maior que seja o aparelho de manipulação a realidade que está aí, não se pode encobrir o sol nem as tragédias e belezas que ele ilumina. Somos ainda uma sociedade de desiguais e de escravizados. Somos ainda uma sociedade que pensa pouco sobre si. Há também a resistência. Prosa e poesia, como diz nossa serena e incisiva porta-voz, Soraya Tupinambá**. Há verdade, como exorta o jovem Plínio, nosso querido Presidente. Há gente que esbarra conosco na rua e diz que sente coisas que a gente sente. Ouvir que encontrei meu semelhante. Prefiro me alimentar disso.

Temos muitas fragilidades, é certo. É necessário que as saibamos para superá-las. Mas, a quinze dias das eleições, o que podemos afirmar é que não sairá um novo Brasil das urnas. Sozinhas as urnas não mudam um país, as pessoas é que podem mudá-lo, exercendo seu direito inalienável de recusa. De recusar o que é apresentado como único caminho. E nosso caminho é fortalecer a resistência que cria e faz pulsar nova vida.

Política é pensamento, palavra e gesto. O gesto que queremos deixar marcado é o do desassossego com tudo isto. Não aceitamos que as coisas da vida vão melhorar seguindo o rumo que tem hoje. Não reduzimos nosso horizonte nem esquecemos porque nos colocamos na esquerda da política. Somos socialistas porque está é a palavra que sintetiza nossa crítica ao sistema social de opressão e destruição.

Queremos demonstrar que somos mais do que a leitura de uma mídia convencional nos chama. Queremos demonstrar que há mais motivos hoje para sermos de esquerda que antes. Que os motivos para sermos igualitaristas, anti-capitalistas, feministas, anti-racistas, anti-homofóbicos, a favor das populações tradicionais, ecologistas, defensores dos direitos da infância e da juventude estão todos aí. Queremos demonstrar que há organizações, comunidades, pessoas que desejam lutar, que não se deixaram capturar.

Precisamos ser muitos. Para mandatos parlamentares, precisamos ser 200 mil. Para sermos socialistas, precisamos ser milhões, Para sermos revolucionários, precisamos não esquecer de que tudo pode ser mudado. Sempre.

Pense nisso nos próximos dias.

*Renato Roseno é candidato a Deputado Federal pelo PSOL/CE. Formado em Direito pela UFC e Mestrado em Políticas Públicas e Formação Humana (UERJ). Profissionalmente, atua junto a organizações de direitos humanos, sobretudo, da infância e juventude.

** Soraya Tupinambá é candidata ao Governo do Estado do Ceará pelo PSOL. Ambientalista com intensa atuação nos movimentos sociais.

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